Padre Ibiapina é reconhecido como venerável pela Igreja Católica
Um decreto assinado pelo Papa Francisco e publicado nesta segunda-feira (31) pelo Vaticano reconhece as virtudes heroicas do padre José Antônio Maria Ibiapina, tornando-o venerável da Igreja Católica.
O processo é um dos passos para a canonização do religioso, que pode ser o segundo brasileiro nato a ser declarado santo – a primeira foi a Irmã Dulce, canonizada em 2019. Antes, ele precisa passar pelo processo de beatificação
Padre Ibiapina, que antes de se dedicar ao sacerdócio, foi advogado, juiz, professor de Direito e deputado, ficou conhecido por inúmeros trabalhos de caridade no Nordeste brasileiro, fundando capelas, igrejas, açudes, cacimbas, poços, cemitérios, hospitais, além de abrir mais de 20 Casas de Caridade para moças órfãs carentes.
Na Paraíba, foi nomeado Visitador Diocesano em 1866 e teve a tarefa de visitar e supervisionar as atividades da Igreja católica na província. No fim da vida, estabeleceu sua atividade missionária no estado até falecer, aos 76 anos.
“Foi reconhecido como venerável por sua existência exemplar, por ter vivido uma fé intensa, alimentada pela oração constante e pela Eucaristia e evidenciada por sua constante confiança em Deus e em sua Providência em cada escolha de vida. A fama de santidade que o acompanhou durante sua vida continuou após sua morte, acompanhada de testemunhos de graças”, disse a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em nota.
Quem foi Padre Ibiapina?
Natural de Sobral, no Estado do Ceará, José Antônio Maria Ibiapina, hoje venerável, nasceu em 5 de agosto de 1806. Ingressou no seminário de Olinda (Pernambuco) em 1823, onde permaneceu apenas três meses devido à morte prematura de sua mãe.
Quando eclodiu a revolta antilusitana em 1824, durante a qual seu pai e seu irmão foram presos como rebeldes, o primeiro executado e o segundo condenado ao exílio, José foi obrigado a dedicar-se aos estudos jurídicos para poder exercer uma profissão e sustentar suas irmãs que continuavam na pobreza.
Após se formar em Direito, tornou-se professor e depois magistrado e delegado de Polícia da Prefeitura de Quixeramobim-Ceará.
Em 2 de maio de 1834, foi eleito para o Parlamento Nacional e lhe foi confiada a presidência da Comissão de Justiça Criminal. Em 1835, ele apresentou um projeto de lei para impedir o desembarque de escravos vindos da África em território brasileiro. Mas como suas tentativas de melhorar o sistema judiciário não tiveram sucesso, ele renunciou ao cargo de juiz e, uma vez encerrado seu mandato, não renovou sua candidatura ao Parlamento e mudou-se para Recife a fim de exercer a advocacia ao lado dos mais pobres.
Em 1850, ele abandonou sua carreira jurídica, retirou-se para a solidão e voltou a cultivar sua vocação inicial e, em 1853, foi ordenado sacerdote. Foi-lhe confiada várias tarefas na diocese da Paraíba e durante a epidemia de cólera entregou-se sem reservas, tanto que o povo o chamava de “peregrino da caridade”.
Fundou várias casas de acolhimento e assistência à saúde, educação cultural e moral, formação religiosa e profissionalizante nas regiões da Paraíba e do Rio Grande do Norte. Ele também organizou missões populares e fez construir igrejas, capelas, hospitais e orfanatos.
No final de 1875, ele foi acometido por uma paralisia progressiva dos membros inferiores e foi obrigado a se locomover numa cadeira de rodas. Tendo piorado irreversivelmente, faleceu em 19 de fevereiro de 1883, na casa de caridade Santa Sé, no distrito de Santa Fé, no município de Solânea (PB).
Com informações do Portal Correio
